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Da idolatria ao deboche: A nova realidade da Seleção Brasileira

A primeira Copa do Mundo que acompanhei, do primeiro ao último duelo, foi a de 1994. O Brasil não ganhava um título há 24 anos e chegou aos Estados Unidos desacreditado, após uma suada classificação nas Eliminatórias. Lembro que não era uma Seleção prestigiada. Mesmo assim, a mística da amarelinha ainda envolvia os jogadores e torcedores.

Eram 22h20, da última quinta-feira, quando o ônibus levando a turma de Dunga apontou nos arredores o Hotel Radisson, em Concepción. Chovia e fazia frio. Havia um grande contingente de policiais. No final das contas, um grupo de 100 jovens se concentrou na porta do local para receber a Seleção.

Receber? Definitivamente, não….

A maioria veio mesmo zombar e provocar. Gritaram “Messi, Messi”, “Neymar, Neymar” e “Chi Chi Chi Le Le Le”. Somente o nome de David Luiz fez certo sucesso.

© Fornecido por Goal.com

Triste realidade

Esta é a situação do futebol canarinho na Copa América. Se em 1994 o jejum de conquistas mundiais estava nos 24 anos, agora, em 2015, estamos em pouco mais da metade disso (13 temporadas, depois de 2002). Porém, o fator 7 a 1 resultou numa perda de respeito significativa, tanto de torcedores, quanto de adversários.

Só para lembrar que ao ser perguntado sobre os nomes perigosos da Seleção, o paraguaio Marcos Cáceres – adversário das quartas de final do torneio sul-americano, neste sábado, às 18h30 (de Brasília) – só citou o meia Willian.

O Brasil sempre atua como visitante em terras chilenas, aos coros de “7 a 1, “7 a 1” e em meio a bandeiras da Alemanha espalhadas nas cadeiras. Os rivais sabem que podem nos bater e partem para cima. É o tal do “Sí, se puede”.

Sem Neymar, suspenso, a situação piorou de vez!

Toda essa atmosfera contra até causa um certo sentimento de “vingança” em nós, jornalistas brasileiros. Comentamos: “A Seleção poderia tanto ganhar essa Copa América, para calar a boca da galera”. Logo depois, refletimos e constatamos que o título somente “taparia o sol com a peneira”.

Confesso, está difícil!

Bezerra

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